Noivas se casam de preto para manter tradição pomerana no ES – Região dos Imigrantes

Noivas se casam de preto para manter tradição pomerana no ES

Jefinho Expedições
2 de fevereiro de 2017
Aplicativo criado no ES traduz o pomerano para o português
23 de fevereiro de 2017

Muitas mulheres sonham em casar de branco na igreja, mas na cultura pomerana, até a década de 1940, a noiva casava-se de preto. Hoje, há aquelas que ainda escolhem usar o vestido negro como forma de resgatar e manter a tradição.

No Espírito Santo há comunidades de descendentes de pomeranos nas regiões Serrana e Noroeste. Os municípios foram colonizados por imigrantes que vieram da Pomerânia, na segunda metade do século XIX, em 1859. A região não existe mais, mas ficava localizada ao norte da Polônia e da Alemanha.

A língua pomerana também é considerada morta atualmente, mas nas tradicionais comunidades no estado, os descendentes ainda se comunicam por meio dela. Para manter a cultura, além do ensino nas escolas, a língua é falada dentro de casa, entre os membros das famílias.

A jovem Bruna Neitzel, de Domingos Martins, é descendente de pomeranos e contou que não teve dúvidas na hora de escolher o modelo do vestido de noiva.

“Casei de preto e acredito que para manter a história e a cultura de um povo é essencial a preservação de seus costumes e tradições. Eu sou de origem pomerana e meu marido não. Todos gostaram da ideia e a família dele ficou surpresa, pois nunca tinham visto esse tipo de casamento”, disse.

De acordo com a tradição, a noiva era arrumada pela mãe e trajava um vestido de cetim preto com uma faixa de cor verde na altura da cintura. Uma coroa, tecida de murta, alecrim ou de cipreste, era o que enfeitava a cabeça da noiva.

Tradição histórica
Há várias tentativas de explicar o uso do preto pela noiva. Segundo o professor e doutor Ismael Tressmann, a vestimenta negra simboliza morte social e a separação da noiva de sua família, pois quem se desloca de sua rede de parentesco é a mulher.

Segundo o sociólogo Jorge Kuster Jacob, no período medieval, quando um casal de servos se casava, a primeira noite da mulher era do senhor feudal e, em forma de protesto, ela se vestia de preto durante a celebração do matrimônio.

De acordo com o pesquisador Helmar Rölke, em seu livro ‘Raízes da Imigração Alemã’, a tradição da cor tem a ver com os costumes na Alemanha.

“Indicam-se dois motivos: geralmente os casamentos aconteciam depois da colheita, isto é, já no início do outono, quando a temperatura já podia cair consideravelmente. A cor preta absorvia melhor o sol, esquentando mais sobre o corpo. O segundo costume tinha a ver com a questão religiosa. A cor preta simbolizava respeito diante do momento religioso na igreja”, descreve o autor.

As irmãs Helga e Patrícia Tesch, de Santa Maria de Jetibá, casaram-se de branco na igreja, mas optaram por usar o vestido preto no dia do ‘quebra-louças’. A roupa foi feita pela mãe delas.

“Meu sonho sempre foi casar de branco, e para não perder a tradição, resolvi usar o vestido preto na sexta-feira do casamento”, disse Patrícia.

“Minha família gostou muito da escolha. Usei o vestido preto principalmente por causa das pessoas de mais idade, como a minha avó. Eles se emocionaram muito”, completou Helga.

O casamento
Três meses antes do casamento, o anúncio é feito em um culto religioso na comunidade. Neste período, tem início os preparativos para a festa, como a construção do forno, dos galpões, a lenha, os convites e bandeirolas.

São dois dias de festa: na sexta-feira há a noite do Quebra Louças e no sábado a festa de casamento propriamente dita.

Todo o casamento é organizado coletivamente por amigos, vizinhos, parentes e cozinheiras. Os copeiros e copeiras, que geralmente são os amigos mais próximos do casal, também são fundamentais para que tudo corra bem.

Helga Tesch e Alexandre Salomão Arnholz, de Santa Maria de Jetibá contaram com a ajuda da comunidade. “Nosso casamento foi todo no estilo pomerano. Tivemos muita ajuda dos amigos e familiares, todos ajudando voluntariamente”, disse Helga.

O casamento pomerano é considerado uma festa de muita fartura. São preparados muitos pães, biscoitos, variedades de bolos e linguiça. “Foram abatidos dois bois e 250 galinhas. Preparamos 1.100 bolos, muitos biscoitos e pães de milho. Tudo isso para as 1.300 famílias convidadas, cerca de 4 mil pessoas”, disse Helga.

Muitas mulheres sonham em casar de branco na igreja, mas na cultura pomerana, até a década de 1940, a noiva casava-se de preto. Hoje, há aquelas que ainda escolhem usar o vestido negro como forma de resgatar e manter a tradição.

No Espírito Santo há comunidades de descendentes de pomeranos nas regiões Serrana e Noroeste. Os municípios foram colonizados por imigrantes que vieram da Pomerânia, na segunda metade do século XIX, em 1859. A região não existe mais, mas ficava localizada ao norte da Polônia e da Alemanha.

A língua pomerana também é considerada morta atualmente, mas nas tradicionais comunidades no estado, os descendentes ainda se comunicam por meio dela. Para manter a cultura, além do ensino nas escolas, a língua é falada dentro de casa, entre os membros das famílias.

A jovem Bruna Neitzel, de Domingos Martins, é descendente de pomeranos e contou que não teve dúvidas na hora de escolher o modelo do vestido de noiva.

“Casei de preto e acredito que para manter a história e a cultura de um povo é essencial a preservação de seus costumes e tradições. Eu sou de origem pomerana e meu marido não. Todos gostaram da ideia e a família dele ficou surpresa, pois nunca tinham visto esse tipo de casamento”, disse.

De acordo com a tradição, a noiva era arrumada pela mãe e trajava um vestido de cetim preto com uma faixa de cor verde na altura da cintura. Uma coroa, tecida de murta, alecrim ou de cipreste, era o que enfeitava a cabeça da noiva.

Tradição histórica
Há várias tentativas de explicar o uso do preto pela noiva. Segundo o professor e doutor Ismael Tressmann, a vestimenta negra simboliza morte social e a separação da noiva de sua família, pois quem se desloca de sua rede de parentesco é a mulher.

Segundo o sociólogo Jorge Kuster Jacob, no período medieval, quando um casal de servos se casava, a primeira noite da mulher era do senhor feudal e, em forma de protesto, ela se vestia de preto durante a celebração do matrimônio.

De acordo com o pesquisador Helmar Rölke, em seu livro ‘Raízes da Imigração Alemã’, a tradição da cor tem a ver com os costumes na Alemanha.

“Indicam-se dois motivos: geralmente os casamentos aconteciam depois da colheita, isto é, já no início do outono, quando a temperatura já podia cair consideravelmente. A cor preta absorvia melhor o sol, esquentando mais sobre o corpo. O segundo costume tinha a ver com a questão religiosa. A cor preta simbolizava respeito diante do momento religioso na igreja”, descreve o autor.

Helga e Alexandre (Foto: André Alves)
Helga optou por usar o vestido preto na noite do
quebra-louças, em seu casamento com Alexandre
(Foto: André Alves)

As irmãs Helga e Patrícia Tesch, de Santa Maria de Jetibá, casaram-se de branco na igreja, mas optaram por usar o vestido preto no dia do ‘quebra-louças’. A roupa foi feita pela mãe delas.

“Meu sonho sempre foi casar de branco, e para não perder a tradição, resolvi usar o vestido preto na sexta-feira do casamento”, disse Patrícia.

“Minha família gostou muito da escolha. Usei o vestido preto principalmente por causa das pessoas de mais idade, como a minha avó. Eles se emocionaram muito”, completou Helga.

O casamento
Três meses antes do casamento, o anúncio é feito em um culto religioso na comunidade. Neste período, tem início os preparativos para a festa, como a construção do forno, dos galpões, a lenha, os convites e bandeirolas.

São dois dias de festa: na sexta-feira há a noite do Quebra Louças e no sábado a festa de casamento propriamente dita.

Todo o casamento é organizado coletivamente por amigos, vizinhos, parentes e cozinheiras. Os copeiros e copeiras, que geralmente são os amigos mais próximos do casal, também são fundamentais para que tudo corra bem.

Helga Tesch e Alexandre Salomão Arnholz, de Santa Maria de Jetibá contaram com a ajuda da comunidade. “Nosso casamento foi todo no estilo pomerano. Tivemos muita ajuda dos amigos e familiares, todos ajudando voluntariamente”, disse Helga.

O casamento pomerano é considerado uma festa de muita fartura. São preparados muitos pães, biscoitos, variedades de bolos e linguiça. “Foram abatidos dois bois e 250 galinhas. Preparamos 1.100 bolos, muitos biscoitos e pães de milho. Tudo isso para as 1.300 famílias convidadas, cerca de 4 mil pessoas”, disse Helga.

Helga e Alexandre celebraram o casamento de forma bem tradicional, em Santa Maria de Jetibá (Foto: André Alves )
Helga e Alexandre celebraram o casamento de forma bem tradicional, em Santa Maria de Jetibá (Foto: André Alves)

O casamento é um dos rituais mais importantes da cultura pomerana. De acordo com o pastor e pesquisador Rubens Stuhr, a tradição do casamento pomerano ainda é preservada em sua maioria no interior dos municípios do estado.

“Nos centros urbanos não se segue mais a tradição. No interior, boa parte da tradição ainda é observada. Os jovens, no geral, dão pouca importância para as tradições, que tenderão a ser cada vez menos observadas em virtude da globalização e influência da mídia”, afirma.

Os municípios que se destacam por ainda manterem a tradição do casamento pomerano são Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Laranja da Terra, Pancas e Vila Pavão, onde há descendentes.

Convidador
Geralmente o irmão caçula da noiva é o convidador, chamado de “hochtijdsbirer”. A cavalo, de bicicleta ou motocicleta, leva uma garrafa de vidro pequena contendo cachaça, enfeitada com fitas coloridas de cetim e ramos de tuia ou de alecrim.

Na antiga tradição, ao aproximar-se da casa, ele anunciava com gritos a sua chegada, entrava na residência e declamava o convite em forma de poema.

Hoje, o convite é entregue em papel, e segundo Rubens Stuhr, isso foi uma adaptação. “O que continua é a caracterização da moto ou carro usado para fazer os convites. Mudou o meio de transporte e o modo de fazer o convite, que de forma verbal passou a ser através de papel”, disse.

Como sinal de compromisso de comparecimento, o proprietário da casa toma um gole de bebida. Uma moça da casa prende uma fita nas costas ou ombro do rapaz e é oferecido dinheiro pelo serviço.

O agricultor João Paulo Klemz, de Santa Maria de Jetibá, conta que já foi convidador por duas vezes. A primeira vez para o casamento de um amigo e depois para o do irmão.

“Convidei trezentas famílias em três finais de semana, de casa em casa. Foi muito divertido e também cansativo. Mas foi gratificante ver todos na festa e saber que estavam lá porque você os convidou”, disse.

Quebra-louças
As cerimônias de casamento são realizadas aos finais de semana. Na noite da sexta-feira, quando tem início as festividades, é realizado o ritual do “Quebra-Louças”, o “Pulteråwend”, presenciado por parentes, vizinhos e os colaboradores.

Segundo a tradição, quebrar louças de porcelana afugenta os maus olhares que possivelmente possam prejudicar a vida matrimonial.

Helga e Alexandre juntam os cacos após o ritual do Quebra-Louças (Foto: André Alves)
Helga e Alexandre juntam os cacos após o ritual do Quebra-Louças (Foto: André Alves)

O ritual é realizado por uma mulher idosa da comunidade. A moradora de Santa Maria de Jetibá,  Marineuza Plaster, contou que realiza o ritual há dois anos.

“Uma pessoa que não tem grande vivência não pode fazer o ritual. O Quebra-Louças envolve conselhos para o casal, coisa que só uma pessoa de idade pode dar”, disse.

Em meio ao discurso, a mulher quebra as vasilhas de porcelana que traz no bolso do avental ou na mão. Em seguida, em cima dos cacos, tem início o baile. Enquanto todos dançam, os noivos tentam varrer os cacos e juntá-los. Ao mesmo tempo, os copeiros procuram varrê-los ou chutá-los, para espalhá-los novamente.

Comida servida na noite do Quebra-Louça é a sopa de miúdos de galinha (Foto: André Alves)
Na Noite do Quebra-Louça tem sopa de miúdos de
galinha (Foto: André Alves / Arquivo Pessoal)

Os noivos juntam os cacos em conjunto, simbolizando que as decisões na família serão tomadas por ambos. Os cacos são guardados para trazer sorte.

A comida servida na noite do Quebra-Louças é a sopa de miúdos de galinha. A carne de galinha é considerada um ingrediente indispensável na festa. Ingeri-la significa que todos interiorizam a percepção da ave, que é denunciar os elementos estranhos que possam se aproximar do jovem casal.

Dança dos noivos
No início da noite de sábado ocorre o jantar e em seguida a dança dos noivos, que é iniciada por eles próprios. Os pais, padrinhos, testemunhas e demais convidados dançam com o jovem casal.

Os copeiros são os responsáveis por animar a dança com gritos e trazer os convidados até o salão. A dança dos noivos chega a durar até três horas.

No final da dança, os homens dão uma quantia em dinheiro como gratificação e é colocada uma fita em sua camisa, vermelha ou azul, o identificando como solteiro ou casado.

No sábado, depois do jantar tem inicio a dança dos noivos (Foto: Joao Rudio)
No sábado, depois do jantar tem inicio a dança dos noivos (Foto: Joao Rudio / Arquivo pessoal)
Fonte: G1

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